De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a tempestade Leonardo será responsável por acumulados de chuva que poderão chegar aos 90 milímetros em apenas 24 horas nas zonas montanhosas do Norte e Centro, com valores entre os 40 e 50 milímetros no Sul.
Depois da depressão Kristin, Portugal prepara-se para a chegada de mais uma tempestade atlântica. Chama-se Leonardo e deverá provocar um novo episódio de precipitação intensa e prolongada, com valores considerados excecionais para um único dia de inverno. A nova depressão, que se está a organizar no Atlântico a norte dos Açores, deverá atingir o continente a partir de quarta-feira, com impacto mais severo na quinta-feira, sobretudo no Centro e Norte do país.
De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a tempestade Leonardo será responsável por acumulados de chuva que poderão chegar aos 90 milímetros em apenas 24 horas nas zonas montanhosas do Norte e Centro, com valores entre os 40 e 50 milímetros no Sul. Em termos comparativos, trata-se de quantidades muito acima da média diária de um dia típico de inverno, que ronda os 20 milímetros.
Segundo o IPMA, o que poderá chover apenas na quinta-feira equivale ao total de três dias de precipitação invernal, num contexto em que os solos já se encontram saturados e sem capacidade de absorção adicional, aumentando de forma significativa o risco de cheias e inundações rápidas.
Chuva persistente e risco agravado de inundações
A depressão Leonardo será a quarta tempestade nomeada numa sucessão de sistemas atlânticos registados em pouco mais de uma semana e meia, e a sexta desde o início do ano a afetar o território continental. A previsão aponta para um episódio marcado não apenas por chuva intensa, mas sobretudo por precipitação persistente, generalizada e contínua, uma combinação considerada particularmente crítica do ponto de vista hidrológico.
Após semanas de chuva quase ininterrupta, as bacias hidrográficas estão cheias e as barragens com níveis elevados, o que limita a capacidade de resposta do sistema natural à nova carga de água. O IPMA alerta que os efeitos mais significativos deverão sentir-se na quinta-feira, dia que poderá representar “o verdadeiro teste” deste inverno chuvoso.
A entrada da tempestade deverá ocorrer pelo Sul, afetando inicialmente o Barlavento e as serras algarvias, mas o núcleo mais ativo do sistema deslocar-se-á rapidamente para o Centro e Norte, onde se concentram os maiores acumulados previstos.
Vento forte, mar muito agitado e contexto atmosférico adverso
Além da chuva, a tempestade Leonardo trará vento forte, com rajadas que poderão atingir 90 a 100 km/h, sobretudo nas terras altas, e agitação marítima significativa, apontou o site meteorológico ‘Luso Meteo’. Embora não se espere que o vento alcance os valores extremos registados durante a passagem da depressão Kristin, o contexto geral mantém-se preocupante devido à fragilização acumulada de infraestruturas e redes essenciais.
O atual “comboio de tempestades” resulta de uma conjugação anómala de fatores atmosféricos, com o anticiclone dos Açores deslocado para sul, próximo da latitude da Madeira, e a corrente de jato posicionada de forma persistente sobre os Açores e a Península Ibérica. Este padrão tem funcionado como uma verdadeira ‘autoestrada’ de depressões, empurrando sucessivos sistemas de mau tempo para Portugal.
Enquanto esta configuração se mantiver — e os modelos apontam para a sua persistência pelo menos até meados de fevereiro — a chuva continuará a marcar o inverno em Portugal, mesmo que a intensidade dos episódios varie.
Impactos acumulados e alerta das autoridades
Com a rede elétrica fragilizada por episódios anteriores, o regresso de chuva intensa e vento forte volta a aumentar o risco de falhas no fornecimento de energia, que já afetaram centenas de milhares de consumidores nos últimos dias. As autoridades recomendam o acompanhamento permanente das previsões e avisos meteorológicos, dada a complexidade e rápida evolução dos sistemas em causa.
No domingo, dia 8 de fevereiro, quando se realizam eleições, as previsões apontam igualmente para condições meteorológicas adversas.
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