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Comissão Europeia obrigou a SATA a devolver três milhões de euros por falhar prazo da privatização



Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM) explicou esta segunda-feira que a SATA vai devolver três milhões de euros ao executivo regional, por falhar o prazo da privatização, e que não se trata de uma devolução de verbas a Bruxelas.

“Não se trata de devolução de verbas a Bruxelas, trata-se, isso sim, de devolução de verbas das ajudas de Estado concedidas pelo Governo [Regional] à SATA, e que, neste caso, terão que ser devolvidas da SATA ao Governo Regional”, disse aos jornalistas o secretário regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública, Duarte Freitas.

O governante, que falava no concelho das Lajes do Pico, no primeiro dia de uma visita estatutária do executivo à ilha do Pico, reafirmou que a decisão foi recebida com naturalidade. “Na medida em que o ganho que se teve de ter mais um ano para resolver esta situação, tinha que naturalmente ter esta compensação por via destas distorções eventuais na concorrência”, explicou.

Segundo o governante, a Comissão Europeia podia ter tomado três posições: dizer “determinantemente que não aceitava”, dizer que aceitava e “impor contrapartidas muito pesadas” e decidir que “aceitava contrapartidas mais residuais”, como acabou por acontecer.

“E é isto que vai suceder. A SATA vai devolver três milhões de euros à região por via deste adiamento e deste tempo que tem mais para realizar a privatização, sendo que isto faz parte da lógica global das negociações para compensação, como referi, das eventuais distorções de concorrência que possam existir”, afirmou. Duarte Freitas referiu que o executivo açoriano alegou um conjunto de razões, como por exemplo o facto de ter havido eleições regionais em 2024 e eleições nacionais em 2025, que “fizeram atrasar alguns processos”.

A Comissão Europeia entende os argumentos, mas também considera “que não pode deixar de haver esta compensação por eventual distorção no mercado durante mais um ano e é por isso que, tendo dado a oportunidade até 31 de dezembro de 2026, impôs esta devolução”, no caso da SATA, para a região, de três milhões de euros, acrescentou.

A Comissão Europeia obrigou a SATA a devolver três milhões de euros por não considerar como “fatores externos” os motivos apresentados para o adiamento da privatização da Azores Airlines, decisão comunicada em 23 de dezembro.

Segundo a comunicação da Comissão Europeia, a que a agência Lusa teve acesso, as autoridades portuguesas defenderam que a privatização da Azores Airlines encontrou “dificuldades imprevistas” com “fatores fora do controlo” do Governo dos Açores e da SATA, que impediram o cumprimento do prazo previsto para a conclusão do processo (31 de dezembro de 2025).

Contudo, a Comissão Europeia entendeu que os motivos apresentados não podem ser considerados “fatores externos”, apesar de ter aceitado a prorrogação até ao final de 2026.

“Mesmo que o pedido de Portugal de prorrogação do prazo para a alienação possa estar parcialmente fundamentado em acontecimentos inesperados durante o processo de alienação, as razões determinantes dos atrasos devem ser consideradas como provenientes do beneficiário ou do Estado-membro, não podendo, por isso, ser consideradas fatores ‘externos'”, defendeu a Comissão Europeia, numa resposta com data de 23 de dezembro de 2025.


 

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