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CGI vai abrir em Portugal o primeiro Centro de Excelência em IA e espera contratar 100 pessoas por ano



Aconsultora de tecnologias de informação canadiana CGI anunciou esta terça-feira a abertura em Portugal do primeiro Centro de Excelência em inteligência artificial (IA). O centro irá focar-se em IA baseada em agentes e IA Generativa, com o objetivo de “permitir aos clientes avançar na transformação digital e alcançar resultados de negócio mensuráveis”.

O novo polo de inteligência artificial deverá reforçar a capacidade da empresa para conceber, desenvolver e operar soluções de IA responsáveis e escaláveis. Inserida numa estratégia de crescimento na Europa, a operação da CGI em Portugal presta apoio a clientes nacionais e internacionais, incluindo mercados como a Finlândia, Dinamarca, Suécia, Alemanha, Países Baixos e Reino Unido.

O novo Centro de Inteligência Artificial contará com mais de 700 colaboradores, todos já integrados nos quadros da CGI, e deverá estar operacional no início de maio.

A estrutura será integrada nas operações da empresa em Portugal, que emprega atualmente mais de duas mil pessoas. Carlos Lourenço, senior vice-president, da CGI em Portugal, afirmou, num encontro com jornalistas, que “cerca de 78% dos contratos dos colaboradores são efetivos”.

Os valores de investimento alocados ao novo centro em Portugal não foram divulgados, tal como a faturação da empresa no país. Ainda assim, em setembro de 2023 a CGI anunciou um investimento global de mil milhões de dólares canadianos (cerca de 625 milhões de euros à taxa de câmbio atual) direcionado para a área da inteligência artificial.

Como parte desta iniciativa, a CGI está também a reforçar a colaboração com a comunidade académica em Portugal através de parcerias com universidades e instituições de ensino superior, apoiando o desenvolvimento de talento qualificado e promovendo a inovação em IA.

“Portugal desempenha um papel central na rede global de entrega da CGI. Esta iniciativa reforça as nossas equipas e competências locais, consolidando a nossa posição como hub de inovação em IA e promovendo a colaboração com a comunidade académica para desenvolver talento técnico,” afirmou Carlos Lourenço, senior vice-president, da CGI em Portugal.

O lançamento do novo polo de inteligência artificial surge num momento em que a adoção desta tecnologia se intensifica nas empresas, obrigando a decisões estratégicas sobre o ritmo e a forma dessa transição.

Para Carlos Lourenço, a IA “vai entrar porta dentro”, seja de forma mais acelerada ou gradual, deixando às organizações duas opções: “Ou abraçamos a mudança ou a mudança abraça-se a nós”. O responsável defende uma postura proativa, sublinhando que, tendo em conta a qualidade e o reconhecimento da operação em Portugal, a empresa pretende atrair mais investimento para o país, numa lógica de crescimento sustentado.

Nesse sentido, a CGI aponta para uma trajetória de expansão alinhada com os últimos anos, mas com uma ambição adicional: contrariar a tendência recente de algumas multinacionais que têm reduzido equipas com a IA. Segundo Carlos Lourenço, a empresa prevê reforçar o quadro “com cerca de 100 novos colaboradores por ano, apostando em perfis altamente qualificados e com remunerações acima da média nacional“.

A estratégia reflete a aposta em talento especializado para suportar o desenvolvimento e a implementação de soluções de inteligência artificial à escala, tanto para o mercado português como para clientes internacionais.

A partir de Portugal, a CGI desenvolve soluções de IA para apoiar os clientes na transformação de processos de negócio, incluindo desenvolvimento de software para banca, agentes inteligentes para gestão de serviços, visão computacional na área da saúde, modelos avançados de suporte à decisão e otimização operacional para utilities.

“O nosso Centro de IA em Portugal reforçará a posição da CGI na entrega de transformação baseada em IA em várias indústrias, a nível global. Ao expandirmos as nossas capacidades em IA, ajudamos os clientes a melhorar operações, otimizar a tomada de decisão e concretizar valor de negócio mensurável,” afirmou Gonçalo Lança, senior vice-president, consulting delivery, da CGI.

ara o responsável, o novo centro de inteligência artificial “é a materialização de algo que já vem sendo feito ao longo do tempo”, refletindo uma evolução gradual da organização.

Gonçalo Lança sublinha que a iniciativa resulta da combinação entre experiência, talento e capacidade de adaptação e execução, considerando que foi agora atingindo “um ponto de maturidade que permite posicionar a CGI de forma mais séria” nesta área.

No plano tecnológico, o responsável refere que “a IA deixou de ser uma coisa experimental para a CGI para passar a fazer parte do nosso modelo operativo”, vincando a integração transversal da tecnologia na atividade da empresa.

Gonçalo Lança explicou que a IA já está presente em praticamente toda a atividade da empresa, estimando que mais de 60% do trabalho atual incorpora inteligência artificial. Acrescenta ainda que, na sua perspetiva, nos próximos seis meses essa integração da IA poderá tornar-se total em toda a operação.

 

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