Lisboa vai mais do que duplicar o número de câmaras de videovigilância instaladas na cidade, passando das atuais 96 para 251. De acordo com o ‘Diário de Notícias’, a Câmara Municipal prepara a instalação de mais 118 equipamentos em cinco zonas: Martim Moniz, Avenida Almirante Reis, Castelo, Amoreiras e Saldanha.
Atualmente, o sistema de videovigilância está instalado no Bairro Alto, com 26 câmaras, no Miradouro de Santa Catarina, com sete, no Cais do Sodré, com 30, e no Campo das Cebolas, com 32. A estas juntam-se outras 37 câmaras que já estão em fase de instalação: 17 nos Restauradores e 20 na Ribeira das Naus.
O investimento previsto para a expansão da videoproteção é de 18 milhões de euros. O objetivo da autarquia é reforçar a segurança em zonas consideradas sensíveis e responder a preocupações transmitidas por moradores, comerciantes e pessoas que circulam na cidade.
Carlos Moedas afirmou ao jornal diário que há habitantes que lhe dizem sentir receio em determinadas zonas de Lisboa, sobretudo ao final do dia e à noite. “As pessoas dizem-me na rua que estão preocupadas, que em certas zonas não saem [de casa] a partir das seis ou sete da tarde”, afirmou o presidente da Câmara de Lisboa, referindo também a preocupação sentida por mulheres jovens em alguns pontos da cidade.
Além da videovigilância, Carlos Moedas defende uma maior presença policial no espaço público. Para o autarca, a perceção de segurança está também ligada à visibilidade dos agentes nas ruas. “Hoje em dia as pessoas quando andam na rua, por exemplo, se não veem polícia sentem-se mais desprotegidas”, afirmou.
O presidente da Câmara elogiou a decisão do ministro da Administração Interna, Luís Neves, de colocar elementos do Corpo de Intervenção da PSP em zonas mais turísticas de Lisboa. A medida foi apresentada como uma forma de aumentar a presença policial em áreas com grande concentração de pessoas.
A autarquia deverá ainda reforçar a Polícia Municipal com mais 100 elementos no prazo aproximado de um mês. Com esse aumento, o quadro passará de cerca de 400 para 500 agentes, embora Carlos Moedas recorde que, segundo a lei, a cidade deveria ter perto de 700. “Mesmo assim continuamos em défice”, sublinhou.
O autarca manifestou também preocupação com a redução dos efetivos da PSP nos últimos anos, defendendo que Lisboa precisa de mais polícias e de mais esquadras.
“Lisboa é uma cidade segura”, mas há sinais de preocupação
Carlos Moedas insiste que Lisboa continua a ser uma cidade segura, lembrando que alguns crimes, como furtos em transportes públicos, diminuíram. Ainda assim, considera que a autarquia e o Estado devem agir perante o aumento de crimes mais graves, como homicídios e violações.
O presidente da Câmara deu como exemplo o Cais do Sodré, onde, segundo disse, o sistema de videovigilância permitiu identificar e deter um ladrão. Para Moedas, as câmaras ajudam a recolher informação e a apoiar a ação das autoridades em casos concretos.
A expansão do sistema surge num momento em que o debate sobre segurança em Lisboa se cruza também com temas de integração, turismo, criminalidade e perceção de insegurança. O autarca defende que a cidade tem de proteger quem nela vive, trabalha ou a visita, sem abdicar da inclusão.

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