O presidente executivo (CEO) da Lufthansa Technik Portugal assegurou hoje que a construção da fábrica da empresa em Santa Maria da Feira é “totalmente independente” do resultado da privatização da TAP, em que o grupo aéreo alemão é candidato.
“A decisão da Lufthansa Technik foi totalmente independente das outras atividades da Lufthansa”, afirmou Torsten Raabe em declarações aos jornalistas à margem da sessão comemorativa dos 45 anos de voos da Lufthansa para o Porto e 15 anos da LGSP, que decorreu hoje no Aeroporto Francisco Sá Carneiro.
Segundo o CEO, a Lufthansa Technik “estava a procurar na Europa o lugar onde queria crescer” e “o lugar perfeito foi Portugal”, designadamente Santa Maria da Feira, onde existe “a infraestrutura certa”.
Em causa está um investimento de 300 milhões de euros na construção de uma fábrica da Lufthansa Technik, que deverá criar 700 novos postos de trabalho até 2030 e cuja construção vai arrancar “em junho”, depois de obtida, no mês passado, ‘luz verde’ da Agência Portuguesa do Ambiente.
Segundo Torsten Raabe, a unidade — dedicada à reparação de motores e componentes de aviões – começou já a laborar no passado dia 01 de abril, em instalações arrendadas, contando atualmente com 75 trabalhadores, a que se irão juntar mais “todos os meses”.
A produção deverá arrancar “em força” nas novas instalações “o mais tardar no início de 2028”, demorando depois “cerca de dois anos” até atingir velocidade de cruzeiro.
Destacando o investimento que está a ser feito na formação dos trabalhadores, o responsável disse que, dada a falta de “pessoas com experiência em aviação” no Norte do país, estão foram feitas “parcerias com escolas de formação e universidades para formar a força de trabalho”.
Os trabalhadores, avançou, serão não só da região de Santa Maria da Feira, mas “de outros locais de Portugal e do mundo, sobretudo portugueses [atualmente a residir no estrangeiro] que querem aproveitar esta oportunidade para voltar a Portugal”.
“Quando a produção nas novas instalações começar queremos ter já umas 200 pessoas treinadas e prontas a trabalhar”, acrescentou.
Como “facto curioso”, o CEO da Lufthansa Technik referiu que o primeiro componente reparado na fábrica de Santa Maria da Feira foi uma máquina de café.
“Pode pensar-se que é uma coisa simples, mas, para a maioria das pessoas num avião, uma máquina de café é a parte mais importante na aeronave”, gracejou.
Torsten Raabe referiu que entretanto a produção vai progredir para a reparação de “componentes mais complexos, como partes de motores, que vai começar ainda este ano”, sendo o objetivo recuperar em Santa Maria da Feira “uma grande variedade” de equipamentos.
“Quase todo o espetro de reparações que fazemos em outros lugares, também faremos aqui em Portugal”.
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