Milhares de fiéis são esperados esta quarta-feira em Fátima para a peregrinação internacional aniversária de maio, que assinala os 109 anos da primeira aparição de Nossa Senhora aos três pastorinhos, na Cova da Iria.
As celebrações começaram já na noite desta terça-feira, com a recitação do Rosário na Capelinha das Aparições, seguida da tradicional Procissão das Velas e da Celebração da Palavra no Recinto de Oração.
Esta quarta-feira, o programa prossegue com a recitação do Rosário, às 9h00, na Capelinha das Aparições, seguindo-se a Missa Internacional Aniversária, no altar do Recinto de Oração, com a bênção dos doentes. A peregrinação termina com a Procissão do Adeus.
A celebração deste ano será presidida pelo patriarca de Lisboa, D. Rui Valério. Segundo o Santuário de Fátima, é a primeira vez que o responsável preside a uma peregrinação aniversária desde que assumiu o Patriarcado de Lisboa, em 2023.
A peregrinação internacional aniversária de maio é uma das maiores celebrações religiosas do calendário de Fátima e recorda a primeira aparição da Virgem Maria a Lúcia, Francisco e Jacinta, em 13 de maio de 1917.
Paz mundial no centro da mensagem
A mensagem desta peregrinação deverá estar centrada na paz mundial e na solidariedade entre os povos.
O tema ganha particular significado num contexto internacional marcado por guerras, tensão geopolítica e crises humanitárias.
O assistente nacional do Movimento da Mensagem de Fátima, padre Daniel Mendes, defende que a peregrinação à Cova da Iria mantém plena atualidade nos dias de hoje.
“O peregrinar a Fátima continua a estar atual, porque no coração humano existe sempre esta necessidade de oração, de conversão, de viver a paz”, afirmou o sacerdote ao Programa ECCLESIA, transmitido pela RTP2.
Para o responsável, a caminhada até Fátima não deve ser vista apenas como tradição cultural ou turismo religioso, mas como uma experiência espiritual.
“A peregrinação Fátima é uma experiência muito profunda”, sublinhou.
“Rezamos com os pés”
Todos os anos, milhares de pessoas fazem o caminho a pé até ao Santuário de Fátima, motivadas por promessas, agradecimentos, intenções pessoais ou procura de sentido.
O padre Daniel Mendes resume essa experiência numa expressão: “Nós rezamos com os pés.”
Segundo o sacerdote, a peregrinação tem uma dimensão pedagógica, quase como uma escola, que ajuda os peregrinos a compreender a própria vida através do esforço, do silêncio, do cansaço e da relação com os outros.
“Nós ao longo da peregrinação somos convidados, e os peregrinos relatam mesmo isso, a ir transformando este caminho exterior num caminho mais interior”, afirmou.
O responsável destaca também a presença de muitos jovens que deixam o conforto de casa, enfrentam noites difíceis e chegam cansados, mas felizes e satisfeitos.
“Muitos estão cansados, têm muitas dificuldades, mas raros são aqueles que desistem”, disse, sublinhando que os peregrinos acabam por encontrar forças que muitas vezes desconheciam ter.
Segurança e apoio aos peregrinos reforçados
A dimensão da peregrinação levou à mobilização de meios de segurança, proteção civil e apoio aos peregrinos.
A Proteção Civil mobilizou cerca de 300 operacionais para acompanhar a peregrinação e responder a eventuais ocorrências.
A Guarda Nacional Republicana deverá ter no terreno cerca de 200 militares por dia.
O Movimento da Mensagem de Fátima coordena a Comissão de Apoio aos Peregrinos a Pé, que envolve várias entidades, incluindo a Ordem Soberana e Militar de Malta, os Servitas de Nossa Senhora de Fátima, a Cruz Vermelha Portuguesa, a Associação Caminhos de Fátima, a GNR, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, a VOST Portugal, a Infraestruturas de Portugal e o Corpo Nacional de Escutas.
O objetivo é garantir acompanhamento, segurança e assistência aos peregrinos que chegam a Fátima a pé, muitos depois de vários dias de caminhada.
Fátima como ponto de chegada e de partida
Para muitos peregrinos, Fátima é o ponto final de uma caminhada física. Mas, para o padre Daniel Mendes, é também um ponto de partida.
O sacerdote conta que muitos peregrinos começam por caminhar por uma promessa de um familiar, vizinho ou amigo, mas acabam por regressar mesmo quando essa promessa já não existe.
“Quando não tiver promessa venho na mesma, porque estes momentos fazem bem ao coração, ajudam na minha vida, no meu peregrinar”, relatou, citando testemunhos de peregrinos.
Nesta quarta-feira, a Cova da Iria volta assim a juntar fé, tradição, oração, promessa, cansaço e esperança.
Num ano em que a guerra e a instabilidade internacional voltam a dar força ao apelo à paz, o 13 de maio em Fátima será vivido entre milhares de peregrinos, segurança reforçada e um céu que poderá trazer chuva e trovoada, mas que dificilmente afastará os fiéis do recinto.

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