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Renfe prepara entrada em Portugal com novos comboios Talgo



A operadora estatal espanhola Renfe está a posicionar-se de forma estratégica para liderar a alta velocidade ferroviária em Portugal, com especial interesse nas futuras rotas internacionais que vão ligar os dois países ibéricos, nomeadamente os eixos Porto-Vigo e Lisboa-Madrid. Fontes do Governo espanhol adiantaram ao jornal espanhol “Expansion” que a Renfe será a única empresa com capacidade imediata para prestar este tipo de serviços internacionais de alta velocidade na Península Ibérica, assumindo uma vantagem competitiva crucial no mercado de passageiros e na ligação global da Península à Europa através do plano europeu que prevê triplicar a rede de alta velocidade para 36 mil quilómetros até 2040.

Para concretizar esta expansão, o Ministério dos Transportes de Espanha viabilizou uma alteração ao acordo contratual com a fabricante Talgo para transformar 15 comboios da Série 106. Esta modificação vai substituir os eixos fixos por sistemas de bitola variável, o que permitirá às composições adaptar o seu rodado de forma automática e circular tanto na bitola ibérica — a opção técnica mantida pela Infraestruturas de Portugal — como na bitola europeia utilizada nas linhas de alta velocidade (AVE) em Espanha e no resto do continente. Esta aposta surge numa altura em que a Renfe encara Portugal como a grande alternativa de expansão internacional após ter enfrentado sérias barreiras técnicas na homologação da sua frota convencional para alcançar Paris.

Paralelamente a estes planos, e de forma a garantir a fluidez do tráfego vindo da costa portuguesa para o interior do país, ganha relevância o desenvolvimento do Corredor Internacional Sul, uma infraestrutura estratégica assente na Linha de Sines e na nova Linha de Évora. Este megaprojeto ferroviário atravessa o Alentejo até à fronteira ferroviária de Elvas-Caia com Badajoz, englobando a construção de cerca de 80 quilómetros de linha totalmente nova e a renovação de outros 90 quilómetros de ferrovia. Desenhada para alta velocidade e tráfego misto, com uma geometria de via que permite velocidades até 250 km/h, a linha reduzirá a distância ferroviária entre Sines e Espanha em cerca de 140 quilómetros ao evitar o antigo desvio técnico por Vendas Novas. Esta otimização vai encurtar o tempo de trajeto das mercadorias e comboios em 3 horas e meia, triplicar a capacidade de escoamento diário da região e permitir, de forma inédita, a circulação de comboios mercantis com comprimentos máximos de 750 metros, potenciando o papel logístico internacional do Porto de Sines.

Embora o corredor alentejano sirva como um elo essencial na ligação de mercadorias ao centro da Península Ibérica, o calendário para o transporte de passageiros em alta velocidade nas restantes linhas nacionais obedece a prazos mais alargados. Os planos oficiais indicam que o arranque das ligações de alta velocidade entre Lisboa-Porto e Porto-Vigo está previsto para 2032, ao passo que a prometida linha direta de alta velocidade entre Lisboa e Madrid só deverá estar totalmente operacional em 2034. Até lá, um dos maiores desafios de engenharia do lado português foca-se na futura Terceira Travessia do Tejo (TTT), uma infraestrutura essencial para reduzir de forma substancial os tempos de viagem a partir de Lisboa, mas cujo projeto se encontra ainda em fase preliminar de desenvolvimento.

 

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