Depois de se estrear em Lisboa no final de 2025, a marca irlandesa Wilde prepara-se para abrir uma segunda unidade em Portugal, desta vez nos Clérigos, no Porto. A inauguração representa mais um passo na estratégia de expansão europeia da insígnia do Staycity Group, que aposta num conceito de aparthotel pensado para combinar "o estilo e o serviço de um hotel boutique com a liberdade e a flexibilidade de uma casa".
Fundada em Dublin, Irlanda, a Wilde representa a vertente mais lifestyle e premium do grupo Staycity. Atualmente presente em cidades como Londres, Berlim, Viena, Cambridge e Lisboa, a marca continua a expandir-se na Europa, com Amesterdão e Porto entre as próximas aberturas. O objetivo, garante o grupo, passa por afirmar a Wilde como uma referência mundial no segmento dos aparthotéis.
"O nosso administrador tem um sonho muito claro: sermos a melhor empresa de apartamentos do mundo", explica Vanessa Batista, diretora-geral do Wilde Lisbon Liberdade, em conversa com o SAPO. "Queremos que os clientes encontrem sempre a mesma forma de receber, a mesma qualidade e que sintam que estão novamente num Wilde."
Entre um hotel boutique e uma casa
Numa altura em que os viajantes procuram cada vez mais flexibilidade, a Wilde aposta num modelo híbrido. Em vez de quartos convencionais, disponibiliza estúdios e apartamentos equipados com cozinha completa, frigorífico de dimensão normal em vez dos habituais mini-bares, utensílios para cozinhar, espaço de refeições e zonas de estar, mantendo simultaneamente serviços típicos de hotel, como receção aberta 24 horas, limpeza, ginásio, lavandaria, restauração e áreas de coworking.
"O nosso objetivo é que o cliente tenha uma casa com serviços de hotel", resume Vanessa Batista.
Segundo a responsável, este modelo adapta-se tanto a escapadinhas de poucos dias como a estadias prolongadas e tem atraído sobretudo famílias, viajantes em negócios e hóspedes que permanecem várias semanas na cidade.
No Wilde Lisbon Liberdade, inaugurado em dezembro, essa filosofia traduz-se em 95 unidades de alojamento distribuídas por nove pisos. Além dos quartos e estúdios, o aparthotel integra um café-bar, mercearia, um espaço de coworking, um pátio interior, um ginásio e uma lavandaria self-service, permitindo aos hóspedes manterem as rotinas do dia a dia mesmo durante uma viagem.
A mesma identidade, inspirada em cada cidade
Apesar de todos os hotéis partilharem uma identidade comum, cada projeto procura refletir o meio onde está inserido. "Não queremos ser apenas mais um hotel. Há uma preocupação em integrar a cidade, quer através do design, quer da experiência que proporcionamos", explica a diretora.
No caso de Lisboa, a marca inspirou-se na relação da cidade com o Tejo e com o oceano para decorar as áreas comuns, porém, sem cair em clichés — desengane-se quem espera encontrar os habituais padrões náuticos, cordas ou tons azuis. Com assinatura de Stephanie Barba Mendoza, a marca introduziu os dois ícones com subtileza e elegância ao adotar linhas curvas, superfícies ondulantes, e os tons verdes e azuis.
A gastronomia aproxima igualmente os viajantes da capital, mas nem sempre terá sido assim. "Numa fase inicial, o menu tinha muito daquilo que era a influência de todos os wildes, sendo que a maioria se encontra no Reino Unido", revela Vanessa. "Tivemos de reforçar (porque eles sabiam) que a gastronomia portuguesa é muito forte e que é isso que os clientes procuram".
Assim, a unidade adaptou a ementa que passou a incluir propostas como bacalhau à Brás, polvo à lagareiro, pica-pau, gambas ao alho ou tábuas de queijos e enchidos nacionais.
Já iguais em todas as unidades da Wilde, são os amenities. Produzidos exclusivamente para a cadeia de aparthotéis por uma empresa irlandesa ajudam-na a criar uma identidade sensorial para os hóspedes sentirem uma certa familiaridade sempre que entrarem em novos espaços do grupo.
Novas formas de viajar, novos perfis de hóspedes
No Wilde Lisbon Liberdade, há três perfis que se destacam: estadias prolongadas, famílias e viajantes em negócios. “Temos muitos clientes que ficam vários dias ou semanas. Precisam de cozinhar, de ter espaço, de manter rotinas. Este conceito responde a isso de forma muito direta”, explica Vanessa Batista.
A componente prática, das cozinhas equipadas à lavandaria self-service, ganha aqui particular relevância, permitindo uma experiência mais próxima da vida quotidiana, mesmo fora de casa. Ao mesmo tempo, serviços como o ginásio, o bar ou as áreas de trabalho ajudam a manter o equilíbrio entre lazer e produtividade.
Famílias e viajantes com animais de estimação também fazem parte deste universo, com soluções pensadas para facilitar a estadia, dos kits para crianças aos equipamentos dedicados a cães, reforçando a ideia de que o espaço se adapta ao hóspede, e não o contrário.
Num contexto em que as fronteiras entre trabalho e lazer se tornam cada vez mais difusas, o modelo híbrido dos aparthotéis surge como resposta a uma procura crescente por estadias mais autónomas, flexíveis e personalizadas.
Portugal como etapa estratégica da expansão
A abertura em Lisboa marcou a entrada da Wilde em Portugal e reforçou a estratégia de crescimento da marca na Europa continental.
"Lisboa e Porto vão ajudar a consolidar a nossa identidade. Todos os hotéis que abriram antes foram construindo a marca e nós acreditamos que Portugal vem reforçar esse caminho", considera Vanessa Batista.
"O primeiro Wilde que abriu [2018 em Convent Garden] só tem apartamentos, não tem nenhum serviço de F&B (food and beverage que em português significa alimentos e bebidas)", recorda a diretora.
Depois da capital, será a vez do Porto receber a segunda unidade portuguesa, que ficará perto dos Clérigos. Segundo a diretora, a nova abertura manterá o ADN da marca, mas terá uma decoração própria, concebida para refletir o património e o ambiente portuense.
A expansão não deverá ficar por aqui. Além de Amesterdão, o grupo já está a analisar novos projetos em diferentes mercados europeus, incluindo Espanha, mantendo o objetivo de crescer sem perder aquilo que considera ser o principal fator diferenciador: oferecer a autonomia de uma casa com a experiência de um hotel boutique.

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